Palavras, ainda as palavras, sempre as palavras como tudo o que me define e me arrebata... ARREBATA: eis outro signo marcado pelo estigma sedutório que urge reabilitar, bem como todas as que a ela se ligam por derivação tais como arrebatador, arrebatamento...(arrebataçao???)... Pode ser que um linguista psicólogo venha ler este blog e me ajude a desamarrar palavras!
Como tudo o que é humano e aspira à liberdade também as palavras carecem da desapropriação, das grilhetas que as tornam sinais de fracasso, indicio de mentira, sinal de embuste.
Vou contrapor a este signo manchado pela farsa, este outro que, ao contrário, soa nos meus ouvidos e dança perante o meu olhar feito sinal de vitória... e a palavra é IMPONENTE!
Imponente simboliza o poder de uma postura, significa a força de uma alma que se enuncia no olhar e no gesto, traduz a verticalidade do ser a quem as intempéries não logram derrubar!
Mas será que a Imponência permite ceder ao arrebatamento... ao arrebatador? Permite, é claro que permite ou não seria imponente em absoluto, ou não teria o poder de erguer-se após a queda num deslize dos sentidos... Ser imponente não significa ter como matéria a pedra ou o ferro e erigir-se somente como estátua, ser imponente representa arrebatar-se a si mesmo, ainda que sob o efeito consciente de outrem e permanecer no pedestal psicológico a que só pode pertencer! Pedestal, notem bem, eu compreendo que esta posição altaneira possa ser denunciadora de orgulho... mas... também a palavra orgulho eu quero reabilitar aqui e agora e faço-o, na justa medida em que é pelo orgulho que nos levantamos das trevas morais onde pode lançar-nos a sensação de fracasso!
Será que a ambiguidade permanece?

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