
URGINDO PROMESSAS
Uma seiva escura
polifera ácida
nos ventres acuados
dos mendigos trôpegos
arrostados em lume
nas sombras do meio dia
quando o luar despojou
suas vestes marfínicas
e uma corrente púrpura
esgazeada e dúctil
fez-se aquele oceano
outrora esvaído
O rei lançou
um estribilho de escárneo
porque os seus vassalos
haviam transportado
o trono falso para longe da bruma
e entretanto voou
o segredo das sombras
entre gélidos mantos
de cristalina poalha
Só ficou a pomba
entre desvairadas reses
só restou a cinza
entre ruínas de arcadas
só se viu o gume
de espadas ferrugentas
só se ouviu o gemido
das sinfonias breves
E quando o profeta
partiu da montanha
ainda havia tumulto
na raiz do vale
e então o crepúsculo
encomendou a noite
urgindo promessas
de solidão e treva

2 comments:
Nunca o vamos esquecer…
Em cada tristeza lembramo-nos do seu sorriso, em cada solidão sentimos a sua presença…Em cada lágrima lembramo-nos de si….
Você está em cada ausência… Você está em cada gesto, em cada amanhecer da nossa vida… Está no silêncio do nosso pensamento…
Lembrámo-nos como foram bons todos os momentos que passamos consigo…
Pensamos em si todos os minutos da nossa vida, não precisamos do silêncio da noite para pensar em si…
Algum dia seremos algo que passou por esta vida… Mas para nós você será sempre alguém que vamos lembrar com muito amor…
Este é um poema que eu escrevi para uma pessoa que me faz muita falta... E por vezes é a a recordação que tenho dele que me move com vontade de viver...
Post a Comment